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quinta-feira, 19 de maio de 2011

Do Outro Lado (OUT)

De meia-noite às cinco e meia, sem intervalo, Yayoi, Masako, Yoshie, Kuniko e seus colegas permanecem ao lado da esteira transportadora, embalando quentinhas. Apesar de oferecer bom salário para meio-expediente, o serviço na fábrica de refeições de comida pronta é desgastante. Entre o trabalho mecânico da madrugada e os afazeres domésticos da manhã seguinte, as quatro operárias japonesas viveriam o repetitivo e extenuante cotidiano da mulher contemporânea até que um trágico assassinato mudasse suas vidas para sempre.

Como parece que deve ser todo trabalho em uma fábrica (rotina cansativa e tediosa), o início do livro é vagaroso e sonolento. Nos primeiros capítulos fiquei meio em dúvida: será que esse livro é, realmente, policial? Eu mesma já estava querendo matar a autora, pois o tédio era enorme.
A vida da classe operária, feminina, japonesa é sofrida e dolorosa. A opressão constante e o desejo de liberdade faz com que até uma pessoa comum e pacífica tome uma atitude que transformará completamente a sua própria vida e a dos que a cercam.
Livro de maior sucesso da japonesa Natsuo Kirino e primeiro da escritora a chegar ao Brasil, “Do Outro Lado” ganhou o Grande Prêmio Japonês de Melhor Romance Policial e ficou entre os finalistas do Edgar Allan Poe de 2004. O New York Times Book Review disse que o livro “é uma mistura potente de maldade humana, feminismo obstinado e justiça precavida.” Com toda essa recomendação, o livro tem que ser bom – pensei.
O fato é que para mim, uma simples amante da leitura, o livro, inicialmente, é enfadonho, mas depois do crime e da ocultação dos pedaços do cadáver, ele começa a ficar envolvente e tenso. O livro não é ruim. Merece até ser filmado, pois daria um filme bem interessante nas mãos de um grande diretor. O problema é que nas última páginas, bem lá no final, a autora perde o rumo e tenta nos enfiar uma Síndrome de Estocolmo, mas, na boa, totalmente nada a ver.

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Do Outro Lado (OUT)
Autora: Natsuo Kirino
Editora Rocco

quinta-feira, 21 de abril de 2011

A Garota da Capa Vermelha (Red Riding Hood)

Valerie (Amanda Seyfried) é uma bela e jovem mulher dividida entre dois homens. Ela está apaixonada por um estranho forasteiro, Peter (Shiloh Fernandez), mas seus pais lhe arranjaram um casamento com o rico Henry (Max Irons). Valerie e Peter planejam fugir juntos até que eles descobrem que a irmã mais velha de Valerie foi morta por um lobisomem que ronda a escura floresta que circunda a aldeia. Durante anos, as pessoas têm mantido uma trégua com a fera, oferecendo a criatura um animal em sacrifício mensalmente. Mas, sob uma lua de sangue vermelho, o lobo para de atacar e leva uma vida humana. Com sede de vingança, o povo chama um famoso caçador de lobisomens, padre Solomon (Gary Oldman), para ajudá-los a matar o lobo. Mas a chegada de Solomon traz conseqüências não intencionais quando ele adverte que o lobo, que toma forma humana de dia, poderia ser qualquer um deles.

A Garota da Capa Vermelha nos apresenta uma nova visão da fábula escrita pelos irmãos Grimm. Eu diria uma visão mais punk (mais do que o original, original mesmo), cheia de suspense e, de certo modo, interessante.
No filme, Valerie planeja fugir com seu namorado secreto Peter, um órfão lenhador. Mas seus pais resolvem negociar sua mão com Henry, que é rico. No dia da fuga, a irmã de Valerie é morta por um lobisomem que apavora a pequena vila medieval. Os habitantes recorrem a um caçador experiente, padre Salomon e é aí que tudo desanda de vez para o lado dos pombinhos apaixonados.
O filme, embora haja sangue, mordidas e pedaços de corpos, não pode ser considerado como terror, mas é um belo suspense. Até o momento final, você não sabe quem é o lobisomem e desconfia de todos. A atuação dos atores não foi espetaculosa, mas nada que comprometa o produto final.
O fato é que o longa só corrobora com o que eu já desconfiava: têm garotas que amam um vampirão, têm outras que se apaixonam por um belo lobisomem e têm aquelas que arrastam uma asa pelos dois. Para mim, isso significa que, pelo menos na ficção, os homens normais estão cada vez mais sem graça e que os peculiares estão ganhando de lavada.

Nota: 7

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A Garota da Capa Vermelha (Red Riding Hood)
Diretor: Catherine Hardwicke
Atores: Amanda Seyfried, Shiloh Fernandez, Julie Christie, Max Irons
2011, suspense