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quarta-feira, 30 de março de 2011

O Tempero da Vida (Politiki Kouzina)

Fanis (Markos Osse) é um garoto grego que vive em Istambul, na Turquia. Seu avô, Vassilis (Tassos Bandis), é um filósofo culinário que o ensina que tanto a comida quanto a vida precisam de um pouco de sal para ganhar sabor. Ao crescer Fanis (Georges Corraface) se torna um astrofísico, que usa seus dotes de culinária para temperar as vidas das pessoas que o cercam. Ao completar 35 anos ele decide deixar Atenas e retornar a Istambul, para reencontrar seu avô e também seu primeiro amor.

Essa foi uma semana de, literalmente, comer com os olhos. Primeiro assisti ao filme Estômago (postado anteriormente) e agora O Tempero da Vida. Sem dúvida foi um banquete para a minha alma.
Este filme, uma produção Greco-Turca, tem como temperos: fotografia incrível, atuação perfeita e poesia nos detalhes. Um filme sensível e, ao mesmo tempo, irresistivelmente engraçado. A cena da panela-de-pressão e a dos almoços em família são hilárias.
O longa conta a história de Fanis, um grego que passou parte da infância em Istambul, na Turquia, que aprende a alquimia da culinária com o seu avô Vassilis, turco, dono de uma loja de especiarias. Um dos primeiros ensinamentos é que, embora os temperos muitas vezes não apareçam visualmente na comida, eles são ingredientes essenciais que dão o sabor e fazem a diferença. Mas ele ensina isso com poesia, como por exemplo: "o cominho é um tempero forte que leva as pessoas à introspecção; a canela faz as pessoas se abrirem, olharem bem para dentro dos olhos; a pimenta é o sol; o sal é como a Terra, pois é essencial".
Infelizmente Fanis e seus pais são obrigados a deixar a Turquia (isso em 1967, quando a disputa entre os dois países pela Ilha de Chipre detona uma guerra) e retornam para a Grécia, sem o avô que fica para trás, por opção própria.
O tempo passa e Fanis leva anos até que finalmente revê seu avô, mas aqueles ensinamentos ficaram gravados em sua memória. Tanto que um deles, que era “astrônomo contém a palavra gastrônomo”, certamente foi um impulso para que Fanis se tornasse professor de astrofísica e um excelente chef de cozinha.
O filme é comovente, lindo, emocionante, vibrante. Misturando a gastronomia com as relações familiares, abordando sutilmente os temperos de ambas. É um filme incrível

Nota: 10

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O Tempero da Vida (Politiki Kouzina)
Diretor: Tassos Boulmetis
Atores: Georges Corraface, Ieroklis Michaelidis, Renia Louizidou
2003, drama

segunda-feira, 28 de março de 2011

Estômago

Na vida há os que devoram e os que são devorados. Raimundo Nonato, nosso protagonista, descobre um caminho à parte: ele cozinha. E é nas cozinhas de um boteco, de um restaurante italiano e de uma prisão - o que ele fez para acabar ali? - que Nonato vive sua intrigante história. E também aprende as regras da sociedade dos que devoram ou são devorados. Regras que ele usa a seu favor, porque mesmo os cozinheiros têm direito a comer sua parte - e eles sabem, mais do que ninguém, qual é a parte melhor. Uma fábula nada infantil sobre o poder, o sexo e a culinária.

Há muito eu tinha esse filme na fila de espera para ser visto, mas acabava sendo posto de lado, até que resolvi assistir. Putz, filmaço!
Alternando passado (a chegada de Nonato a São Paulo) e o presente (prisioneiro – apenas no final do filme descobrimos o porquê de sua prisão), somos apresentados ao protagonista Raimundo Nonato, um nordestino humilde que chega do interior a procura de uma vida melhor. Meio que sem querer ele acaba se destacando na delicada arte da culinária, ao mesmo tempo em que descobre a hierarquia do poder. É como a última frase da sinopse bem define: “Uma fábula nada infantil sobre o poder, o sexo e a culinária.”
Fiquei encantada com o ator baiano (salve a Bahia, que está caprichando cada vez mais nesse quesito) João Miguel, que interpreta o Raimundo. Ele não é um deus grego, mas tem um rosto tão bom, tão expressivo, que não dá nem para nos desviarmos da tela. Sem contar a atuação perfeita: simples, leve, natural, que cresce e que sutilmente vai mostrando a perda da inocência do personagem.
Na verdade todo o elenco estava afiadíssimo, mas tenho que destacar a Fabíula Nascimento como a prostituta gulosa Íria; o Babu Santana, como o impagável chefe de cela Bijiú; e Carlo Briani, como o italiano Giovanni, que ensinou a magia dos temperos e sabores da culinária ao atento ajudante Nonato.
O filme é um drama, mas muito bem humorado. Cenas engraçadas não faltaram. As minhas preferidas são: o gorgonzola catinguento, que foi obrigado a ficar fora da cela, junto com os tênis; o macarrão à putanesca que vira putavesga; e, claro, a sensacional narração da história do queijo gorgonzola, logo no início do filme.
O longa, inspirado no conto “Presos pelo Estômago”, de Lusa Silvestre (que assina, junto com Marcos Jorge, o argumento do filme), uma co-produção Brasil-Itália, feito com baixo orçamento, realmente me conquistou. Indico sem medo e sem receios, pois este filme é para ser saborosamente degustado com os olhos.

Nota: 10

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Estômago
Diretor: Marcos Jorge
Atores: João Miguel, Fabíula Nascimento, Babu Santana, Carlo Briani
2008, drama