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segunda-feira, 13 de junho de 2011

Ópio – Diário de uma Louca (Ópium: Egy elmebeteg nö naplója)

No inicio do século XX, na Hungria, Josef Brenner, escritor e médico, trabalha em uma clínica psiquiátrica. Durante meses vem sofrendo um bloqueio mental na hora de escrever, é incapaz de escrever uma única linha e por causa disso viciou-se em morfina. Certo dia chega a clínica uma nova paciente, Gizella, de 28 anos, que ao contrário sempre está escrevendo, é fiel à sua agenda e nãodeixa de escrever, mas é dominada pela obsessão de que um poder cruel e estranho a possui.

Sabe aqueles filmes que a gente escolhe pela capa e dá uma lidinha básica na contra capa, só para dar um confere geral? Aí a gente pega, assiste e vê que não tem nada a ver, mas mesmo assim o drama é tão intenso que não dá para desgrudar da tela? Pois é, esse foi um deles.
Bom, ter problemas psíquicos em 1913 era uma tremenda roubada. Não que hoje seja moleza, mas as atrocidades que eram feitas em nome de tratamento (terapias de choque, isolamento total e em gaiolas, lobotomia, afogamentos induzidos etc) eram bárbaras.
O filme gira em torno do Dr. Brenner, psiquiatra, e de sua paciente, Gizella. Ele escreve contos, usando suas experiências como viciado em ópio. Ela é obcecada em escrever sobre o diabo, uma vez que ela pensa estar possuída por ele. Dr. Brenner, que passa por um momento de falta de inspiração, fica interessado (leia-se, inveja) na facilidade que ela tem em expor o que sente e o que pensa.
O início do filme já dá uma idéia do final, que não é feliz (como já disse em post anterior, dramas nunca têm finais felizes...), mas bem provável. A cena final mostra, entre a resignação de Gizella e, talvez, uma compaixão melancólica dele, uma intensidade tamanha que chegou a me dar desespero e aperto em meu coração.
Uma vida transformada em cinzas e uma chuva limpando a consciência, mas no fim... é só um grande, imenso vazio.
Incríveis as atuações de Kristi Stubo que, inclusive, ganhou o prêmio de melhor atriz no Festival Internacional de Cinema de Moscou e de Ulrich Thomsen.

Nota: 7

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Ópio – Diário de uma Louca (Ópium: Egy elmebeteg nö naplója)
Diretor: János Szász
Atores: Ulrich Thomsen, Kirsti Stube, Zsolt László
2010, drama

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Namorados para Sempre (Blue Valentine)

Com um romance outrora cheio de paixão, Cindy e Dean são casados e têm uma filha de cinco anos. Na esperança de salvar seu casamento eles reservam um quarto no motel, relembrando anos atrás quando se conheceram se apaixonaram e fizeram seus primeiros planos cheios de vida e esperança. Se movendo de forma fluída entre o passado cheio de juventude e o presente da vitalidade da vida adulta, o filme pergunta sem parar, para onde foi o nosso amor. A resposta para esta pergunta está dispersa no tempo.

Não se deixe enganar pelo título meloso ou pelas fotos apaixonadas dos cartazes. Pense muito bem antes de você levar a sua namorada ou seu namorado para ver este filme, como programa pelo Dia dos Namorados. Leia as críticas, tome conhecimento da história, porque o filme é forte! Este não é um filme romântico, até porque o amor se perdeu...
Dean se apaixona por Cindy à primeira vista, mas ela é apaixonada por outro. Porém, ela acaba percebendo o quanto o cara é um babaca e termina. Assim, ela casa com Dean e vivem uma vida tranquila junto com a filha Frankie. Os anos passam e aquela paixão vai indo pelo ralo.
O que aconteceu com aquela paixão avassaladora do início? Aonde ela está? Foi para o espaço junto com os sonhos de Cindy? Foi posto em segundo plano, acomodado como Dean? A descoberta do amor (somos apresentados a esses momentos em flashbacks) e a morte do amor, tudo isso sem ter um culpado ou inocente (às vezes não há culpados e/ou inocentes, somente seres humanos), são o mote do filme. A dor que cada um sente é, de fato, contundente.
A dupla Michelle Williams e Ryan Gosling está tão perfeita que nem parece que estamos assistindo a um filme, mas sendo voyeurs de um casal como qualquer outro. Além disso, Gosling e a pequena Faith (nome lindo!) Wladyka protagonizaram vários momentos belos e ternos do filme.
O longa é avassalador ! Você fica incomodado e não sabe ao certo para quem torcer. Só que esse filme é tão real, tão incrivelmente tocante e angustiante que recomendo muita calma e lucidez para quem for vê-lo.

Nota: 8

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Namorados para Sempre (Blue Valentine)
Diretor: Derek Cianfrance
Atores: Ryan Gosling, Michelle Williams, Faith Wladyka
2011, drama

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Biutiful (Biutiful)

Javier Bardem é Uxbal, um herói trágico, pai de dois filhos, e à beira da morte. Ele luta contra uma realidade distorcida e um destino que trabalha contra ele, o impedindo de perdoar e amar. Está frente a frente com um mundo desestruturado e numa espiral decadente de degradação, mas tenta a todo custo manter a dignidade. Paralelamente, a história mostra a complexa situação dos imigrantes na Espanha.

De “biutiful” o filme não tem nada. O filme é escuro, é triste, é carregado, é opressor e mostra nua e cruamente a realidade de milhões e milhões de pessoas.
Uxbal é um recém separado, pai de dois filhos (Mateo de 7 e Ana, de 10 anos - excelente desempenho de ambos). Ele é médium e usa essa peculiaridade para ganhar um dinheirinho, ajudando o falecido (e a família) a encontrar a paz. Além disso, agencia o trabalho escravo de imigrantes chineses e explora imigrantes senegaleses como camelôs. Para tudo isso dar razoavelmente certo, ele mantém um contato na polícia (sim, Barcelona também tem policiais corruptos). E sabe aquele ditado que diz: quando o urubu está de azar, o de baixo defeca no de cima? Pois é, com tudo isso ele ainda descobre que tem pouco tempo de vida, pois o câncer de próstata se alastrou para os ossos e o fígado.
O mais interessante no filme é que mesmo com essa desgraceira toda, você não chora. Eu, pelo menos, não chorei - e olha que sou manteiga derretida. O que senti foi uma angustia, um aperto na garganta, um soco no estômago... O filme é um mal estar em cores escuras, cinzas e sujas. Chega a ser palpável... A claridade mesmo só vem com a aproximação da morte, mas a morte como sinônimo de libertação.
Enquanto essa libertação não chega, o filme é basicamente a morte em vida, a exclusão. A morte como ausência do amor, da amizade, da dignidade humana, da esperança, da razão, da própria vida. As várias situações desconfortáveis e opressoras não nos deixam esquecer, em um só instante, que se estamos em uma pior, poderíamos estar ainda mais ferrados. Guardada as devidas proporções, cada um de nós temos um pouco de Uxbal: o que queremos mesmo é a felicidade da nossa família, uma vida digna para todos e que, ao fim de nossos dias aqui na terra, não termos deixado nenhuma (ou muita) pendência karmica e, claro, não queremos que aqueles a quem amamos esqueçam de nós.
O oscarizado Javier Bardem continua not beautiful, mas a sua interpretação é tão visceralmente perfeita que é impossível desgrudar o nosso olhar dele. O cara é muito bom !
O filme é um pouco lento e, sinceridade, 147 minutos é muito tempo, ainda mais quando, ao final, algumas pontas continuam soltas. Mesmo assim é um filme interessante e que vale a pena assistir.

Nota: 7

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Biutiful (Biutiful)
Diretor: Alejandro González Iñárritu
Atores: Javier Bardem, Maricel Alvarez, Eduard Fernández
2011, drama

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Corações em Conflito (Mammut)

Leo (Bernal) e Ellen (Michelle) são um casal bem sucedido de Nova York. Ele criou um conhecido website, enquanto ela é uma dedicada cirurgiã. Sua filha, Jackie (Sophie Nyweide), passa a maioria do tempo com sua babá filipina, Glória (Marife Necesito). Quando Leo vai para a Tailândia a serviço, ele inconscientemente desperta uma cadeia de eventos que trará conseqüências dramáticas para todos.

O filme basicamente apresenta 3 histórias: uma mãe cirurgiã competente e que ama a sua carreira, mas com isso vê sua própria filha tendo mais afinidades com a empregada, já que fica muito mais tempo com ela; um pai nerd que ficou milionário criando site de jogos, viaja e descobre o quanto é solitário e está afastado da própria família; e uma empregada filipina que trabalha nos Estados Unidos para mandar dinheiro para sua mãe e os 2 filhos pequenos para dar-lhes uma vida digna.
O problema é que o filme não convence, não consegue decolar. Ficamos o tempo todo achando que algo acontecerá e que esquentará a história, mas nada disso ocorre. Aliás, no final, quando uma situação forçada acontece o resultado soa como apelação...
É uma pena o filme ter se perdido, já que paralelamente ele aborda um assunto que além de discutido deveria ser banido da sociedade, de uma vez por todas: a prostituição infantil.
Gael Bernal, lindo como sempre, mas mais uma vez teve uma interpretação fraca. Michelle Williams foi um pouco melhor. Porém, o brilho fica por conta da ala infantil: Sophie Nyweide , Jan David G. Nicdao e Martin Delos Santos.

Nota: 7

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Corações em Conflito (Mammut)
Diretor: Lukas Moodysson
Atores: Maria Esmeralda Del Carmen, Gael Garcia Bernal, Michelle Williams
2010, drama

domingo, 29 de maio de 2011

Vidas que se Cruzam (The Burning Plain)

O passado e o presente podem ter um efeito curioso sobre as pessoas separadas pelo espaço e pelo tempo. Mariana, uma garota de 16 anos está tentando unir as vidas destroçadas de seus pais em uma cidade na fronteira do México. Sylvia, uma mulher que vive em Portland deve realizar uma odisséia emocional para apagar um pecado de seu passado. Gina e Nick (Joaquim de Almeida), um casal que tem de lidar com um intenso e proibido caso; e Maria, uma jovem garota que precisa ajudar seus pais a encontrar a o perdão e o amor. Os cincos começarão suas próprias jornadas em busca de redenção e descobrirão que suas ações poderão fazer a diferença entre a vida e a morte.

♪♫ “How many times can a man turn his head, Pretend that he just doesn't see? (…) How many deaths will it take till he knows That too many people have died?” ♫♪ - Nos momentos finais do filme foi dessa música que lembrei e ela, de uma certa maneira, tem a ver com a história.
O filme é estilo Titãs: tudo ao mesmo tempo agora. Passado, bem passado, presente e quem sabe um futuro, são apresentados como uma colcha de retalhos, cuidadosamente cerzida.
Não entrarei em detalhes, porque não quero revelar os segredos das personagens. Basta saber que a trama do filme gira em torno das mulheres: Mariana (Jennifer Lawrence), Sylvia (Charlize Theron), Gina (Kim Basinger) e Maria (Tessa La). O tempo vai e volta e a vontade de ir a fundo no sentimento dessas mulheres e saber o que as ligam é o mote principal da narrativa.
A ala masculina dos personagens foi muito bem interpretada pelos atores, mas o filme é das mulheres. Excelente desempenho de TODAS. Charlize, linda como sempre, mergulhando de cabeça no emocional de sua Sylvia. Kim Basinger, com rugas sim, mas como sempre enigmática e tensa.
A película é surpreendentemente melancólica e bela. No início até achei meio chato esse estilo vai e volta, mas no momento que me deixei levar pelos sentimentos e pela vontade de querer descobrir o que se passava com cada personagem, nossa, fui arrebatada por cada um deles. Vale a pena assistir ao filme.

Nota: 8

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Vidas que se Cruzam (The Burning Plain)
Diretor: Guillermo Arriaga
Atores: Charlize Theron, Kim Basinger, Jennifer Lawrence
2010, drama

quarta-feira, 25 de maio de 2011

O Poder e a Lei (The Lincoln Lawyer)

A história segue Mickey Haller, um bem sucedido advogado de Los Angeles que está bastante feliz com sua carreira. Tudo muda quando ele precisa defender um insuportável garoto rico de Beverly Hills, que é acusado de assassinato.

Eu adoro filmes de tribunal. No cinema, julgamentos têm glamour e uma aura de amor à pátria, à liberdade e aos direitos humanos. Eu chego até a ficar emocionada com alguns.
Neste longa, Mickey Haller, interpretado pelo bom Matthew McConaughey, é um advogado de defesa que se fosse aqui no Brasil seria o chamado “advogado de porta de cadeia”, mas como é nos Estados Unidos, ele é um expert em garantir o seu pirão primeiro (grana fácil) e na quantidade suficiente. Só que um belo dia ele aceita um caso que mudará sua vida.
Não vou enganar: na primeira uma hora o filme é cansativo e até entediante. Chato! Porém, logo depois de um crime diretamente ligado a Haller, aí a tensão e a ação começam a se desenrolar de tal maneira que prende a atenção.
McConaughey está perfeito como advogado esperto, cínico e bem apessoado. Mesmo com entradas desbravando sua agora não tão vasta cabeleira, seu corpitcho continua com tudo em cima... Claro que ele fica sem camisa neste filme, senão não seria filme de Matthew McConaughey, ora bolas ! rs
Além dele temos interpretações convincentes de Ryan Phillippe, como o jovem playboy Louis Roulet, acusado de agressão; William H. Macy, como Frank Levin, investigador e amigo de Haller; além de John Leguizamo, Marisa Tomei entre outros. Não posso esquecer-me de Laurence Mason que interpretou Earl, o motorista do escritório sobre rodas de Haller. Aliás, vem daí o nome do filme, pois o carro é um Lincoln preto, daqueles dos anos 70, com a sugestiva placa "NT GUILTY".
O filme não é deslumbrante, mas tem seu charme. Portanto, vale uma conferida básica.

Nota: 7

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O Poder e a Lei (The Lincoln Lawyer)
Diretor: Brad Furman
Atores: Matthew McConaughey, Marisa Tomei, Ryan Phillippe, Frances Fisher.
2011, drama

Água para Elefantes (Water for Elephants)

Baseado no aclamado bestseller homônimo de Sara Gruen, traz um romance inesperado que tem como pano de fundo uma história única e comovente. Jacob é um rapaz de 21 anos que desiste da faculdade de Medicina Veterinária após a morte de seus pais. Ele se junta ao circo dos Irmãos Benzini, e encontra seu lugar no circo cuidando dos animais. No circo, ele conhece e se apaixona por Marlena, a estrela do show, mas ela é casada com o paranóico e esquizofrênico treinador dos animais.

Este filme se passa em um Estados Unidos em plena depressão econômica dos anos 30. Naquele tempo, muito mais do que hoje em dia, o circo era sinônimo de alegria e pureza. Era um grande evento a chegada de um circo à cidade. É nesse cenário que o drama de dois jovens apaixonados é apresentado.
A história é contada por Jacob Jankoski (Hal Holbrook), um senhor com mais de 70 anos que, ao fugir do asilo, encontra ouvidos interessados em sua história de ex estudante de veterinária (Robert Pattinson) que acabou parando no Circo dos Irmãos Benzini. Lá ele encontrou o amor de sua vida, Marlena (Reese Whiterspoon), e a bestialidade em forma de gente, ou melhor, na forma de dono do circo e marido de Marlena, o violento August (Christoph Waltz).
Robert Pattinson não é uma maravilha, mas também não fez feio. Temos que dar crédito ao esforço do rapaz. Reese, como sempre, encantadora, mas o destaque é Christoph Waltz. Ele encarnou um August cínico, violento, louco e mesmo com características tão parecidas, ele o fez diferente do personagem Cel. Hans Landa (Bastardos Inglórios) que lhe deu todos os prêmios de melhor ator coadjuvante que concorreu no ano de 2009. Esse cara é fera.
Eu gostei do filme. Gostei da trilha sonora (Louis Armstrong, Bessie Smith, James Newton entre outros). Adorei a elefante Rosi, uma fofa que atuou muito bem. Inclusive ela é importantíssima no clímax das sequências finais. Aliás, no longa, a desglamourização do circo fica claríssima quando nos é apresentado o lado brutal no trato dos animais. São poucas as cenas, mas são revoltantes.
Certamente não é o filme mais espetaculoso da terra, mas é um bom programa e vale a pena assisti-lo.

Nota: 7

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Água para Elefantes (Water for Elephants)
Diretor: Francis Lawrence
Atores: Robert Pattinson, Reese Whiterspoon, Christoph Waltz
2011, drama

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Caminho da Liberdade (The Way Back)

Em 1940, pegos pelo regime stalinista, sete prisioneiros aproveitam-se da nevasca para fugir de Gulag Soviético. A liberdade desses homens tem um preço: eles têm poucas chances de chegarem a um lugar seguro sem serem pegos novamente e correm risco de morte.

É um filme que narra uma história de superação e luta pela sobrevivência nas piores condições possíveis.
Imagine ser preso por ter sido delatado pela sua esposa (não pensem mau dela; a coitada só fez isso depois de ter sido torturada) e levado para uma prisão na Sibéria. Não para por aí não... Imagine fugir a pé, com mais 6 companheiros, enfrentando uma nevasca (é na Sibéria!!!) terrível. Imagine andar a pé da Sibéria à Índia (atravessaram 5 países e alguns nem um pouco simpáticos), cerca de 6.500 km rumo à liberdade. Até para imaginar é difícil...
Não é filme de guerra, mas do que aconteceu com esse grupo de homens que escaparam de um campo de concentração, entre 1941 e 1942. Nos envolvemos, principalmente, com os personagens de Janusz (Jim Sturgess) e Sr. Smith (Ed Harris). Todos estão muito bem e vale os poucos minutos que temos com Colin Farrell (Valka), que construiu um personagem bem marcante.
O filme é um pouco cansativo, mas vale assistir. Longas que mostram situações extremas e que como um ser humano, com objetivo bem definido, pode superar tudo, são sempre imperdíveis e valem a pena serem vistos. Janusz superou tudo isso, mas foi apenas em 1980 que ele pôde, realmente e finalmente, fazer o que mais queria. O que lhe serviu de objetivo principal, nesses anos todos, e aí a gente se emociona...

Nota: 8

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Caminho da Liberdade (The Way Back)
Diretor: Peter Weir
Atores: Ed Harris, Jim Sturgess, Colin Farrell, Saoirse Ronan
2011, drama

sábado, 7 de maio de 2011

Reencontrando a Felicidade (Rabbit Hole)

No filme, Becca (Nicole Kidman) e Howie Corbett (Aaron Eckhart) são um casal feliz, cujo mundo perfeito é mudado para sempre quando seu pequeno filho Danny é morto por um carro. Becca, uma executiva que virou dona de casa, tenta redefinir sua existência em um lugar surreal de família bem-intencionada e amigos. Dolorosas, pungentes, e muitas vezes engraçadas, as experiências de Becca vão levá-la a encontrar consolo em um relacionamento misterioso com Jason, um jovem e perturbado artista de quadrinhos que conduzia o carro que matou Danny.

A história gira em torno do casal Becca e Howie que há oito meses perdeu o filho único, de 4 anos, atropelado por um adolescente. A perda e o luto são os temas deste filme.
Cada um tenta lidar com a perda a sua maneira: o marido mergulha no passado e a esposa passa a seguir o adolescente que atropelou seu filho, até que uma cumplicidade surge desse relacionamento. O fato é que cada um deles busca, no exterior, uma paz e conforto que só sentirão se procurarem no seu interior.
Reencontrar a felicidade, ter um bom motivo para abrir os olhos depois de uma perda como essa, não é fácil. Porém, o primeiro passo tem que ser dado e o filme é isso.
Nicole Kidman (graças a Deus o efeito do botox da testa foi embora) mostra uma competência, uma dor e uma angustia extraordinárias. Essa personagem lhe rendeu a terceira indicação ao Oscar. Aaron Eckhart (apaixonei-me por esse cara no filme “Obrigado por fumar”) arrasa. Todos os atores estão perfeitos e convincentes. O filme, mesmo com tema tão depressivo, não cai na pieguice.
O longa é delicado, é humano, é doloroso. Mesmo assim é inspirador, porque querer ser feliz é, por si só, ter a esperança de que dias melhores virão. É um dia por vez, nada mais que isso... Um dia a cada dia.

Nota: 10

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Reencontrando a Felicidade (Rabbit Hole)
Diretor: John Cameron Mitchell
Atores: Nicole Kidman, Aaron Eckhart, Dianne Wiest
2010, drama

terça-feira, 26 de abril de 2011

Você não conhece Jack (You don’t know Jack)

Jack Kevorkian (Al Pacino) sempre defendeu que o ser humano tem o direito de morrer com dignidade, escolhendo a forma como deseja encerrar a vida diante de doenças terminais. Apoiado pelo amigo Neal Nicol (John Goodman) e por sua irmã Margo Janus (Brenda Vaccaro), ele passa a prestar uma “consultoria de morte”. Desta forma, Jack ajudou em mais de uma centena de suicídios assistidos, o que lhe rendeu o apelido de Dr. Morte. Em seu trabalho ele ganha o apoio de Janet Good (Susan Sarandon), a presidente do Hemlock Society, e a ira dos promotores locais, que abrem um processo contra Jack. O responsável por defendê-lo na corte é Geoffrey Fieger (Danny Huston), que precisa lidar não apenas com o processo em si, mas também com a cobertura da mídia ao julgamento.

Morrer com dignidade é o sonho de todos nós, mas há aqueles que, por doença, não conseguem. Mais de 130 pacientes encontraram um profissional que lutou e trabalhava para isso: Dr. Jack Kevorkian, que ficou conhecido como o Dr. Morte e que era a favor da morte humanitária rápida e sem dor para os doentes terminais.
O telefilme, baseado em fatos reais, foi produzido pela HBO e é uma produção bem cuidada, com atores de altíssimo nível como: Al Pacino, Susan Sarandon, John Goodman, Brenda Vaccaro etc. Maravilhoso como sempre, Pacino nos apresenta um Dr Morte intrigante, humano e sensível.
“Até que saiba de toda a história, você não conhece Jack”, essa frase de chamada do longa já provocava o espectador de idéias pré-concebidas. O mais interessante no filme é a argumentação, tanto do Dr. Jack e seus aliados quanto os de seus opositores. São opiniões embasadas na ciência, na religião, na compaixão.
Sou a favor da eutanásia e já escrevi sobre isso ano passado ("Quando a única saída é o fim") e esse filme só corroborou com o que já achava. Inclusive tem uma frase, dita pela paciente #78, Lois Hawes, minutos antes do procedimento final, que expressa muito bem o sentimento de todos que passaram por isso: “Deus teve sua oportunidade de levar-me. Agora vou até Ele.”

Nota: 8

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Você não conhece Jack (You don’t know Jack)
Diretor: Barry Levinson
Atores: Al Pacino, John Goodman, Brenda Vaccaro, Susan Sarandon
2010, drama

sábado, 23 de abril de 2011

Cherrybomb

Dois grandes amigos adolescentes, Luke e Malachy, acabam se apaixonando por Michelle, uma garota nova na cidade, uma agitada garota de 15 anos que acaba de voltar para casa. Durante um fim de semana de verão, Michelle desafia os garotos a competirem por ela. A competição agravante coloca os garotos, suas famílias e a lei um contra o outro, conforme a competição se desenvolve em direção a uma conclusão sangrenta e fatal.

Malachy é um jovem de 16 anos, estudioso e trabalhador, que vem de uma tranqüila família de classe média. Ele tem um grande amigo, o rebelde Luke, totalmente o inverso dele. Além de não querer nada com os estudos e com o trabalho, vem de uma família desestruturada: um pai bêbado e um irmão traficante de drogas. Ambos os jovens disputam a bela Michelle, uma menina cujo sobrenome é confusão. Bonita, ela mexe com a libido dos amigos.
O filme é um retrato da adolescência do século XXI, com muito sexo, drogas, bebida, som pesado e mensagens trocadas pelo SMS. Aliás, esta parte foi uma das coisas mais interessantes do filme.
A atuação dos jovens Robert Sheeham (Luke) e Kimberley Nixon (Michelle) foi perfeita, mas o que me chamou a atenção foi o desempenho de Rupert Grint, o eterno Rony Weasley da saga Harry Potter. Com um topete para lá de esquisito, Rupert fez um Malachy simples e seguro, que em nenhum momento lembra o personagem que o fez milionário.
Cherrybomb vale a pena ser visto e apreciado. É um drama feito de uma maneira delicada, poética e sempre ressaltando o valor da amizade. Afinal de contas, no fim de tudo, é a amizade que realmente interessa e que faz a diferença.

Nota: 8

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Cherrybomb
Diretores: Lisa Barros D’Sa, Glenn Leyburn
Atores: Rupert Grint, Robert Sheehan, Kimberley Nixon
2010, drama

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Lope (Lope)

Cinebiografia do dramaturgo e poeta espanhol Félix Lope de Veja e Carpio, o filme traz a fase jovem do artista. Lope (Alberto Ammann) é um poeta ambicioso e um eterno apaixonado. Vivendo mais o presente do que pensando no futuro, ele se entrega ao amor de duas mulheres e desafia regras que podem transformá-lo de herói a vilão, trazendo a desgraça ou a glória.

O filme, uma coprodução Brasil e Espanha e dirigida pelo brasileiro Andrucha, mostra o início da carreira de um dos maiores nomes do teatro espanhol, Lope de Veja.
O longa começa no final do século 16, na ocasião em que Lope retorna da guerra. Quando sua mãe morre, ele se endivida para fazer um belíssimo enterro e aí começa a escrever peças de teatro para sobreviver e poemas para amantes apaixonados, mas que não tem sensibilidade para escrever nada (meio Cyrano de Bergerac).
Lope também fez inimigos e colecionou mulheres com a mesma facilidade com que escrevia sua obras, mas nesse início de carreira o filme só nos apresenta duas amantes, o que já dão um bom trabalho para ele.
A atuação do argentino Alberto Ammann, como Lope, é forte, é voraz, é sensual, é brilhante. Também temos as participações rápidas e especiais de Sonia Braga e Selton Mello.
Miguel de Cervantes chamava Lope de “monstro da natureza”, por sua surpreendente capacidade de produzir obras. Lope morreu aos 79 anos e deixou 3 mil sonetos, 3 romances, 9 poemas épicos e cerca de 1.800 peças, sendo que umas 80 são consideradas trabalhos de excelência.
Ele não era fraco não, coisa que já não posso dizer do filme... Ele é interessante, mas fiquei com a sensação de ter bebido um chá morno: gostosinho, mas não saboroso.

Nota: 6

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Lope (Lope)
Diretor: Andrucha Waddington
Atores: Alberto Ammann, Pilar López de Ayala, Leonor Watling
2011, drama

sábado, 16 de abril de 2011

Incêndios (Incendies)

Jeanne (Mélissa Désormeaux-Poulin) e Simon (Marwan Maxim) são irmãos gêmeos e acabaram de perder a mãe, Nawal Marwan (Lubna Azabal). Eles vão ao escritório do notário Jean Lebel (Rémy Girard) para saber do testamento deixado por ela. No documento, Nawal pede que seja enterrada sem caixão, nua e de costas, sem que haja qualquer lápide em seu túmulo. Ela deixa também dois envelopes, um a ser entregue ao pai dos gêmeos e outro para o irmão deles. Apenas após a entrega de ambos é que Jeanne e Simon receberão um envelope endereçado a eles e será possível colocar uma lápide. Só que Jeanne e Simon nada sabem sobre a existência de um irmão e acreditavam que seu pai estava morto. É o início de uma jornada em busca do passado da mãe, que os leva até a Palestina.

Nossa que filme !
O nome “Incêndios” é sugestivo e tem “n” significados. Mas o significado metafórico é o que cabe: conhecer e apagar, com um incêndio, tudo que foi deixado para trás. Das cinzas que restaram, uma nova vida deve ser refeita.
O filme conta a história dos gêmeos Jeanne e Simon Marwan, que após a morte da mãe descobrem que possuem um irmão e que o pai, que achavam que estava morto, pode estar vivo. Como último pedido da mãe, eles começam uma viagem sem volta ao passado dela, em busca do pai e do irmão. Deixam suas vidas no Canadá e vão em direção ao Líbano, no Oriente Médio e lá, de fato, descobrem quem foi Nawal Marwan. Não a mãe, mas a mulher que foi (e as atitudes que foi obrigada a ter) durante a guerra entre cristãos e mulçumanos, em 1970.
Essa busca é dura, é dolorosa, é inimaginável. Mas o filme não é uma ode a redenção humana, mas sim ao perdão. Aquele perdão que vem lá do fundo da alma.
Há momentos em que o filme se torna cansativo, mas persevere. De repente ele dá uma guinada e você só pensa em como isso é possível e o que irá acontecer.
A atuação perfeita e competente de todos, aliada e bela fotografia e um enredo incrível, fazem desse filme canadense um dos melhores filmes que eu já vi. Imperdível.

Nota: 10

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Incêndios (Incendies)
Diretor: Denis Villeneuve
Atores: Lubna Azabal, Melissa Désormeaux-Poulin, Maxim Gaudette
2010, drama

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Sucker Punch – Mundo Surreal (Sucker Punch)

O filme é uma fantasia épica de ação que nos apresenta à imaginação fértil de uma jovem garota, cujos sonhos são a única saída para sua difícil realidade em um hospício. Desligada dos limites de tempo e espaço, ela está livre para ir onde sua mente levar, porém, chega o momento em que suas incríveis aventuras quebram o limite entre o real e o imaginário, trazendo conseqüências trágicas.

Definitivamente este filme é para quem tem cabeça aberta. Ou seja, não tem preconceito algum no que diz respeito a linguagem visual do filme. Sucker Punch não é um filme, digamos, normal, comum. Sucker é um mix de videoclip musical, mangá, videogame e tudo isso em uma áurea de HQ sombrio. Lembrei muito de vários filmes, por exemplo: 300, Harry Potter e o Cálice de Fogo (podem rir, mas tem uma cena lá que me lembrou sim), Kill Bill, Matrix, Dançando no Escuro etc.
O filme nos mostra Babydoll, que acidentalmente mata a própria irmã ao tentar defendê-la do padrasto estuprador, logo após a morte de sua mãe, sendo internada em um hospício. A pedido (leia-se, suborno) do padrasto, em 5 dias ela será lobotomizada. Enquanto isso, ela tenta através da sua imaginação, e das amigas que faz, juntar as cinco peças necessárias (mapa, chave, faca, isqueiro e o quinto elemento é... Não direi para não perder a graça!) para fugir e se salvar.
O longa é uma mistureba que até estava interessante (a primeira hora estava muito bom), até que começou a ficar chato. Qualquer coisa em excesso perde o charme, e Sucker Punch é excessivo! Parece que o diretor se perdeu. Tentou até dar uma guinada, mas ficou pior a emenda. Nem as falas de autoajuda ajudaram. Por isso, se quer ver um filme surreal (o filme não engana, mas aumenta...) vai nessa.

Nota: 6

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Sucker Punch – Mundo Surreal (Sucker Punch)
Diretor: Zack Snyder
Atores: Emily Browning, Abbie Cornish, Jena Malone, Vanessa Hudgens
2011, ação – drama – fantasia

sábado, 9 de abril de 2011

Mother Teresa of Cats (Matka Teresa od Kotów)

A polícia prende dois irmãos, Artur e Martin, no motel de sua tia no interior e os transporta para a cadeia na capital. Em flashback, o filme procura os motivos para o crime que cometeram. Como que um mal tão irracional pode brotar em garotos de boa família?

Às vezes eu escolho o livro pela capa, dou uma lida rápida na orelha e na contra capa e, geralmente, pego para ler. Com filme também sou assim. Eu vejo uma capa interessante, dou uma olhada na sinopse e pego para ver. Foi o caso desse filme polonês, baseado em fatos reais.
Mother Teresa... é um filme intenso, que se desenrola em flashbacks cada vez mais antigos, deixando o presente cada vez mais distante. A trama se desenvolve dessa maneira e com isso vai deixando o filme mais aflitivo e, também, mais cansativo.
Teresa, uma mãe de família e trabalhadora, possui 3 filhos: Artur, 22 anos; Marcin, uns 15/16 anos e a caçula Jadzia, autista, uns 6/7 anos. O marido, Hubert, veterano de guerra (guerra contra o Iraque), 13 meses antes do crime, retorna para casa e certo mal estar começa a tomar conta da família devido a tensão provocada pelo filho mais velho em relação aos pais e a má influência que exerce sobre o irmão. Tudo isso termina em assassinato: os filhos matam e decapitam a própria mãe.
Por que esse ódio? Por que esse desfecho, arruinando a vida de todos?
O filme só apresenta os fatos e você que tire a sua conclusão. A minha foi que Artur estava se envolvendo com forças ocultas, se achando possuidor de “talentos” sobrenaturais. Tudo isso, aliado a uma falta de comunicação entre ele e a mãe, que era muito mais cuidadosa e atenta aos seus gatos (e eram muuuitos) que aos próprios filhos, além de certa submissão da mãe em relação ao filho e está aí uma provável resposta.
Fiquei curiosa, pois o filme deixa muita coisa no ar e, por isso, fiz várias pesquisas na internet para descobrir mais a respeito dessa história e não achei absolutamente nada. Resultado de tudo isso: nem sempre uma bela capa, aliada a uma sinopse interessante são sinônimos de bom filme.

Nota: 4

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Mother Teresa of Cats (Matka Teresa od Kotów)
Diretor: Pawel Sala
Atores: Ewa Skibinska, Mateusz Kosciukiewicz, Filip Garbacz
2010, drama

quarta-feira, 30 de março de 2011

O Tempero da Vida (Politiki Kouzina)

Fanis (Markos Osse) é um garoto grego que vive em Istambul, na Turquia. Seu avô, Vassilis (Tassos Bandis), é um filósofo culinário que o ensina que tanto a comida quanto a vida precisam de um pouco de sal para ganhar sabor. Ao crescer Fanis (Georges Corraface) se torna um astrofísico, que usa seus dotes de culinária para temperar as vidas das pessoas que o cercam. Ao completar 35 anos ele decide deixar Atenas e retornar a Istambul, para reencontrar seu avô e também seu primeiro amor.

Essa foi uma semana de, literalmente, comer com os olhos. Primeiro assisti ao filme Estômago (postado anteriormente) e agora O Tempero da Vida. Sem dúvida foi um banquete para a minha alma.
Este filme, uma produção Greco-Turca, tem como temperos: fotografia incrível, atuação perfeita e poesia nos detalhes. Um filme sensível e, ao mesmo tempo, irresistivelmente engraçado. A cena da panela-de-pressão e a dos almoços em família são hilárias.
O longa conta a história de Fanis, um grego que passou parte da infância em Istambul, na Turquia, que aprende a alquimia da culinária com o seu avô Vassilis, turco, dono de uma loja de especiarias. Um dos primeiros ensinamentos é que, embora os temperos muitas vezes não apareçam visualmente na comida, eles são ingredientes essenciais que dão o sabor e fazem a diferença. Mas ele ensina isso com poesia, como por exemplo: "o cominho é um tempero forte que leva as pessoas à introspecção; a canela faz as pessoas se abrirem, olharem bem para dentro dos olhos; a pimenta é o sol; o sal é como a Terra, pois é essencial".
Infelizmente Fanis e seus pais são obrigados a deixar a Turquia (isso em 1967, quando a disputa entre os dois países pela Ilha de Chipre detona uma guerra) e retornam para a Grécia, sem o avô que fica para trás, por opção própria.
O tempo passa e Fanis leva anos até que finalmente revê seu avô, mas aqueles ensinamentos ficaram gravados em sua memória. Tanto que um deles, que era “astrônomo contém a palavra gastrônomo”, certamente foi um impulso para que Fanis se tornasse professor de astrofísica e um excelente chef de cozinha.
O filme é comovente, lindo, emocionante, vibrante. Misturando a gastronomia com as relações familiares, abordando sutilmente os temperos de ambas. É um filme incrível

Nota: 10

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O Tempero da Vida (Politiki Kouzina)
Diretor: Tassos Boulmetis
Atores: Georges Corraface, Ieroklis Michaelidis, Renia Louizidou
2003, drama

sábado, 26 de março de 2011

Coincidências do Amor (The Switch)

Kassie (Jennifer Aniston) é uma mulher madura, solteira, que decide que chegou a hora de ser mãe. Só tem um problema: arrumar um doador de esperma. Por não ter namorado nem esperança de se casar, parte para a produção independente. Seu grande amigo Wally (Jason Bateman) é totalmente contra a ideia. Mas não tendo como impedir as decisões de Kassie participa de sua “festa de gravidez”, onde fatos inusitados vão criar Coincidências do Amor.

Uma atriz que nunca fez nada além de comédias românticas, até mesmo na série de TV que a tornou rica e famosa (Friends) é Jennifer Aniston. Atriz mediana, de cabelos bem tratados e, para mim, só. Acho que a única vez em que ela fez um papel para lá de dramático foi como ela própria, quando da separação do então “gatorido” (gato com marido), Brad Pitt. Papel de traída não é legal, mas o lance de jogar as roupas de Pitt pela janela, se foi verdade, foi incrível.
Jennifer e Jason fazem um casal que convence e o pequeno ator Thomas Robinson (Sebastian) rouba várias cenas com o seu jeito até desagradável no início, mas que depois vai demonstrando ser um fofo carinhoso e cheio de manias. Bom rever a querida Juliette Lewis, mesmo que não apareça tanto quanto deveria e merece.
Mas o fato é que esse filme é isso, uma comédia romântica leve que dá para chorar (a cena que Wally coloca Sebastian para dormir, mas antes eles conversam... nossa, é de partir qualquer coração). O longa dá para rir e dá para refletir, principalmente as quarentonas bem de vida e que não têm filhos e adorariam tê-los, e que ficam procurando um doador quando, muito provavelmente, o grande amor de sua vida está bem ao seu lado.

Nota: 7

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Coincidências do Amor (The Switch)
Diretor: Will Speck e Josh Gordon
Atores: Jennifer Aniston, Jason Bateman, Patrick Wilson
2010, comédia romântica - drama

domingo, 20 de março de 2011

Não me abandone jamais (Never let me go)

Kathy H. (Carey Mulligan) tem 31 anos e está prestes a encerrar sua carreira de cuidadora. Enquanto isso, ela relembra o tempo que passou em Hailsham, um internato inglês que dá grande ênfase às atividades artísticas e conta, entre várias outras amenidades, com bosques, um lago povoado de marrecos, uma horta e gramados impecavelmente aparados. No entanto, esse internato idílico esconde uma terrível verdade.

É muito sofrimento, muita dor, muito desencontro e muita submissão para um filme só. Basicamente você chega animado e sai calado, pensando na vida e na sua própria vida.
O filme, baseado no best-seller homônimo de Kazuo Ishiguro, acompanha a vida de três britânicos, Kathy, Tommy e Ruth, desde a infância até jovens adultos. Eles são colegas de internato e descobrem que estão lá, sendo bem tratados, apenas porque são doadores: a obrigação deles é doar seus órgãos aos seus “semelhantes”. Temos aí a clonagem humana servindo como armazenamento de "peças" para reposição, ambulante.
A atuação de Carey Mulligan (Kathy) é fantástica e estou me tornando fã incondicional dela, desde o filme Educação. Andrew Garfield (Tommy) e Keira Knightley (Ruth) também estão bem.
O filme não responde a uma série de indagações. Como não li o livro, não sei se foi falha do autor ou opção do roteirista. De qualquer maneira, é uma pena, mas ele explora, e muito, a melancolia, o vazio. O sentimento de que nada é seu, inclusive a si próprio, e que a felicidade depende mais do outro de que de você mesmo.
Fiquei com uma sensação de aperto no coração e não gostei nem um pouco desse incomodo. É um filme intrigante e reflexivo e o que não falta são tópicos para isso.

Nota: 7

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Não me abandone jamais (Never let me go)
Diretor: Mark Romanek
Atores: Sally Hawkins, Carey Mulligan, Andrea Riseborough, Keira Knightley
2010, drama – suspense

sexta-feira, 18 de março de 2011

Inverno da Alma (Winter’s Bone)

Ree Dolly (Jennifer Lawrence), uma garota de 17 anos de idade que embarca em uma missão para encontrar seu pai depois que ele usa a casa de sua família como forma de garantir sua liberdade condicional e desaparece sem deixar vestígios. Confrontada com a possibilidade de perder a casa onde mora com seus irmãos pequenos e sua mãe doente, e precisar voltar para a floresta de Ozark, Ree desafia os códigos e a lei do silêncio arriscando sua vida para salvar sua família. Ela desafia as mentiras, fugas e ameaças oferecidas por seus parentes e dessa forma começa a juntar a verdade sobre seu pai.

Inverno da Alma é frio, é amargo, é opressor, é solitário.
Assistindo ao longa, fica claro porque a jovem atriz de 20 anos, Jennifer Lawrence, foi indicada ao Oscar. O filme é dela; o filme é ela. Não quero aqui desmerecer os outros como John Hawkes (Teardrop) que estava perfeito, mas Jennifer foi especial.
O filme não é só a busca de uma jovem pelo pai desaparecido. O filme mostra o “corpo e a alma” da jovem Ree Dolly que em seu senso de justiça e preocupação, vê os seus sonhos e os seus objetivos se tornarem cada vez mais distantes, já que ela tem que cuidar de seus irmãos (12 e 6 anos) e de uma mãe depressiva.
É um filme correto e no jargão casual contemporâneo, é um filme honesto. Um pouco lento, um pouco cansativo, um pouco opressivo, como aqueles momentos de inverno em nossa própria alma.

Nota: 7

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Inverno da Alma (Winter’s Bone)
Diretor: Debra Granik
Atores: Jennifer Lawrence, John Hawkes, Kevin Breznahan
2011, drama

quarta-feira, 16 de março de 2011

Secretariat

A dona de casa e mãe Penny Chenery (Diane Lane) não entendia nada de corrida de cavalos, uma área dominada até então por homens. Mas ela assumiu o controle do estábulo de seu pai doente e com a ajuda de um treinador veterano (John Malkovich), contra todas as probabilidades negativas, acabou fazendo o primeiro vencedor da Trípice Coroa em 25 anos de história do esporte, em 1973.

Se existe algum dicionário cinematográfico, no verbete “Disney” tem que estar escrito: sinônimo de qualidade e competência em filmes de princesa e de animais.
Mesmo sabendo o final, que é feliz, graças a Deus, não tem como não se emocionar. Eu derramei rios de lágrimas. Na verdade estou escrevendo este post com os olhos ainda marejados.
O filme conta a história, real, de Big Red ou, como ficou mais conhecido, Secretariat, um cavalo lindo, garboso, como todo bom garanhão deve ser. Vencedor da Tríplice Coroa, em 1973: Derby, Preakness e Belmont. Três corridas, três estados em apenas 5 semanas.
Sempre largando por último e ao longo da corrida conquistando posições até vencer, esse era o seu estilo. Mas exatamente na última corrida praticamente liderou a prova de ponta a ponta. Para se ter uma idéia do feito, 37 anos depois, seu tempo e sua margem de vitória nunca foram batidos.
É um filme que mostra coragem, determinação, autoconfiança, disposição, garra e estilo. Não tem príncipes e nem princesas, mas um herói de quatro patas que fala com os olhos, cuja energia salta da tela. Vá à locadora e pegue o DVD, pois aqui no Brasil não irá para o circuito. O longa é imperdível !

Nota: 9

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Secretariat
Diretor: Randall Wallace
Atores: Diane Lane, John Malkovich, Otto Thorwarth
2011, drama